quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Sobre a loucura deste blog

Lembra do último sonho que compartilhei aqui? Não? Corre aqui pra refrescar a memória!

Agora lembrou? Ótimo!

Leu os últimos posts da Nayara (A dona da loja de desejos, shiu)? Pois bem. Preciso explicar alguma coisa?

Uhm... Claro que eu vou explicar o claro, senão não viria até aqui, não é mesmo?

Como A dona da loja de desejos explicou no post Lembrando dos sonhos, a principal prática na Psicologia Analítica é anotar os sonhos para então refletir sobre eles. O sonhador recém-chegado no consultório pode ter alguma dificuldade em lembrar o que se passa no mundo onírico, mas certamente terá um avanço no decorrer da análise. Então você pergunta: "tá, eu sonho toda noite, ok, e daí? O que isso fala sobre mim que vai me ajudar?".

Pequeno gafanhoto, os sonhos são a janela da alma. Eles te dizem o que se passa, te ajudam a superar o que passou e ainda podem te dar uma alegriazinha depois daquele dia cansativo (sonhos compensatórios). By the way, eles podem significar nada. Não vamos forçar o inconsciente também, né, galera!

Quando fui convidada para participar desse blog eu não sabia exatamente como responder. A resposta veio através de um hiato onírico, digamos assim. Não sonhei nada. Digo, não lembrei de nenhum sonho. Se a proposta aqui era falar sobre sonhos e eu não tinha sonhos para compartilhar, não tinha como eu participar.

Mas eu não queria sair assim, não! Eu estou nesse barco há um tempo e sempre quis pessoas para conversar sobre e que não levassem o assunto do jeito que levavam - aura de preconceitos sim. Então eu escrevi um pouco sobre o livro da von Franz, que eu tinha acabado de ler. Depois eu falei do sonho d'A casa de vidro...

Vamos nós: o que ficou bastante claro era uma profunda mudança. Uma casa bonita, porém se quebrando. Eu sabia que grandes mudanças e responsabilidades estavam a chegar, mas a bola de cristal dos sonhos não pode dar tudo de mão beijada, então a gente tem que viver para ver. Não cabe muito falar sobre mudanças tão pessoais, mas hoje relendo aquele sonho eu atentei para um detalhe que escrevi e deixei passar: "Eu não tinha mais tempo... além do fato de ser de vidro, a casa parecia estar se movendo, como se tivesse sido erguida por cima de um lago. Tive que fugir.". Quase que literalmente, eu tive que abandonar o barco.

A minha vida virou de cabeça para baixo rapidinho. Na semana seguinte a essa postagem fui chamada para assumir um concurso para professora substituta na UESPI numa cidade no interior. Ainda hoje eu estou tentando arrumar as coisas para dar conta das viagens, das turmas, dos trabalhos que tenho aqui e da vida pessoal, que foi o "crec" mais dolorido que tive. Eu acho que esse barco não aguentava tanta mudança, sabe? Eu sinto dor em lembrar o que tive que deixar para trás, mas foi me abrindo para novas perspectivas que consigo seguir em frente.

A loucura desse blog é uma loucura necessária. Quem se atreve a mexer com o inconsciente não pode voltar atrás porque a gente não pode "desaprender" as coisas. Uma vez desvendado um mistério outros mistérios urgentes se jogam na tua frente para também serem desvendados.

Novamente: bem vindos ao mundo dos sonhos!

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Jung: Memórias, sonhos e reflexões



                                  Memórias, sonhos e reflexões (Jung, 2012)
 
Vocês já devem ter percebido que uma das maiores influências deste blog, além dos próprios sonhos das sonhadoras que tocam este barco, são os escritos do suiço Carl Gustav Jung. Médico e psicanalista, Jung foi um dos grandes intelectuais do século XX, um dos três grandes nomes da psicanálise (os outros dois seriam Freud, claro e Lacan). Dos três, certamente Jung é o que menos goza de boa reputação na academia, o que eu sempre lamento bastante. Suas pesquisas são no mínimo inspiradoras, sua coragem de tentar entender além do até então admitido nos estudos da psique humana são mostras de um espírito desbravador, questionador, buscador, algo que não é muito comum no mundo. Os mitos, os sonhos, as religiões foram alvos dos seus estudos, logo, o ostracismo foi o preço que pagou por não abrir mão de seus objetos e métodos tão originais (Jung é criador da psicologia analítica). Até hoje as pessoas mostram-se reticentes em sequer tentar começar a lê-lo, algo que é bastante grave se você é alguém que leva a sério as aventuras do pensamento humano (medo de conhecer? como se refuta algo que não se conhece?).

A imagem da postagem é da edição que possuo da biografia dele. Jung fez um excelente favor aos seus leitores e leitoras descrevendo sua vida sob sua própria perspectiva em "Memórias, sonhos e reflexões". "Nestas páginas, o leitor conhecerá os anos de formação de Jung, sua relação ambivalente com Freud, as viagens e descobertas, e a gestação de uma religiosidade que emerge das imagens originais que descobriu na alma humana", diz a contra-capa. Lá categorias básicas como complexos, arquétipos, self, anima, animus, inconsciente coletivo e outros tantos que a psicanálise utiliza encontram-se mergulhados nas várias etapas da vida do pensador. Sim, porque Jung era um pensador da condição humana (em outra postagem falo um pouco sobre seu livro "Aspectos do drama contemporâneo").

Espero que se interessem em procurar a obra. Essa edição é bem acessível, porque se trata de um livro de bolso (esse eu ganhei de um amigo). Contudo, os livros do Jung costumam não serem tão baratos (snif). Mas você já acha muita coisa em pdf para ler. Vale a pena conferir. Ah, sim. A leitura da biografia também é bem agradável, porque menos acadêmica que as demais obras dele, por isso, se você quiser começar a conhecer sua obra, sugiro começar por aí.

domingo, 18 de outubro de 2015

Sobre a lua


A noite, os sonhos. Inquietação. Ela surge branca, balonesca, etérea. Além das árvores da margem do rio. Nem galhos, nem nuvens comovem a fantasmagoria da sua aparição. Senhora dos sonhos, guia quem dela foge. Confunde quem nela busca abrigo. Voz que clama. Não se sabe se apenas deleite ou puro temor que a senhora branca apague seus caminhos e roube seu despertar.

Sonhei com a lua essa semana. Estávamos eu e mais dois amigos em busca de um lugar sereno para meditar, à beira do rio Poti. A lua cheia nasce do outro lado, por trás das árvores. Mais pessoas estavam ali agrupadas. O chão não se decidia se quente ou frio. Sentíamos quente, sentiam-no frio. Os que sentiam frio escolheram se agasalhar encostando uns nos outros. Um estudante falecido guiava a prática.

                                           Melodia sentimental, do Villa- Lobos, na voz da Zizi Possi.

sábado, 17 de outubro de 2015

Músicas oníricas [1]

Olar! 

Na sessão "Músicas oníricas" convido as colaboradoras e a algum ser perdido que chegar até nosso blog, a nos brindar com alguma música que lhes remeta a sensação onírica, ou à lembrança de algum sonho. No caso dos visitantes, é só deixar o nome da música nos comentários, que nas próximas postagens ele vai figurar como trilha sonora dos nossos escritos, ou mesmo atuar como solista. Pode ser qualquer estilo musical (pop, funk, pagode, samba, forró, lambada, música clássica, trilha de filme, contanto que tenha um sentido onírico para quem fizer a sugestão).

Começo hoje com um pouco de música barroca, que estou escutando desde ontem e que me causa a sensação de ser transportada para um outro espaço e tempo, como em muitos sonhos. Tem me inspirado a escrever no blog, inclusive. Apesar de ser uma balada mais delicada, esse estilo não transforma minha melancolia em tristeza, o que a torna agradável de ouvir. Escolhi duas músicas para hoje. Espero que apreciem.

A primeira é do senhor J.S. Bach (Ar)

A outra é de um senhor, que eu não conhecia, mas gostei de ouvir: George Muffat

 

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Lembrando dos sonhos





Quando Jung recebia seus pacientes, sempre pedia que lhes contasse o último sonho. Nem sempre o paciente se lembrava, então ele, confiante, dizia: logo você começará a lembrar. E ao longo das sessões, mesmo os pacientes com grande bloqueio, terminavam por relatar um ou outro sonho. 

Não é difícil adivinhar o porquê. Quando a pessoa busca terapia, qualquer que seja a abordagem dela, há uma vontade de autoconhecimento, que é algo bastante forte. Essa vontade, começa a liberar um tipo de energia criativa, que se une a vontade de tornar consciente certos conteúdos aprisionados e nada como os sonhos em sua linguagem simbólica para nos ajudar a esse encontro com nosso self. É claro que, no caso dos pacientes de Jung, eles tinha a sorte de ter um especialista em estimular essa emersão onírica.

Mas também podemos tentar nos lembrar dos sonhos. No meu caso, nunca tive dificuldade em tê-los, a questão sempre foi guardar os detalhes, que se esvaem como areia entre os dedos se você não arranja um jeito. Então comecei a anotá-los, faz um pouco mais de dois anos. Em cadernos e em notas virtuais (foto acima). Alguns com riqueza narrativa, outros apenas com palavras-chaves, esse último modo, geralmente, quando acordava sonolenta no meio da noite.

Comecei a fazê-lo como exercício criativo, exercício de escrita e, especialmente, exercício de autoconhecimento, pedra de toque de todos os demais projetos de existência que tenhamos. E sou muito tranquila em afirmar que, no mínimo, os sonhos têm ajudado a enriquecer de sentidos as minhas experiências, mas principalmente surgem como importantes ferramentas no diálogo meu comigo mesma.

Jung afirmava que não ouvir a voz do inconsciente nos sonhos era como um ato irresponsável. Não porque eles necessariamente vão nos dizer o que fazer, mas vão particularmente nos ajudar a expandir o entendimento dos nossos atos, das nossas escolhas e apontar o que veio se tornando prejudicial ou confortável em nossas vivências. 

Então, na verdade comecei essa postagem com a intenção de estimular a quem nos ler a começar a anotar seus sonhos, deixar um caderno e uma caneta do lado da cama, ou lembrar do bloco de notas do celular. Por que não experimentar ouvir essa nossa manifestação sua (sim, você) tão plena de beleza (e às vezes de terror)?

Mais adiante, voltaremos a publicar os nossos sonhos novamente. Entremearemos os relatos de sonhos com algumas explicações dos conceitos do Jung, self, anima, animus etc.

A loucura deste blog

Hoje me peguei pensando nesse blog esquecido: "que loucura expor nossos inconscientes dessa maneira". A internet essa terra de ausentes e que de repente se ergue cheia de dedos em riste tão pronta a definir, a julgar e a limitar. Um exercício que é justamente a negação da energia dos sonhos. 

Não se engane, se por vezes os sonhos parecem ter significados certos, a certeza não passa de mera ingenuidade ou ignorância daquele que decidiu interpretá-lo, geralmente o sonhador. Os sonhos não cabem em um blog de internet. Os sonhos não cabem em uma folha de papel, não cabem num livro de Jung, nem de Freud, não cabem em mim e nem em você. Eles vêm de outros mundos, longe da capacidade das nossas palavras de alcançá-los, longe das nossas fronteiras, longe de inícios e fins. Ainda assim os sonhos nos buscam: essa energia mágica da qual também somos ingredientes, matéria integrante- mesmo que não saibamos precisar o quanto ou como. Eis que sonhamos. Sonhamos e escrevemos sobre sonhos. Sonhamos e vivemos sonhos. Ou achamos que vivemos sonhos. Sonhamos e devaneamos sobre sonhos. Sonhamos e criamos um blog sobre sonhos. Mas o sonho está sempre além. Ele é matéria de porvir. Ainda assim sonhamos. 

Que diabos. Ainda não entendo o porquê de um blog de sonhos. 

Contudo, cá estaremos.

                                                     [something about dream] a.g.

terça-feira, 28 de abril de 2015

A casa de vidro


Tinha uma casa, na rua da casa do meu pai. A calçada era verde (de grama, bem bonita) e eu estacionava o carro lá. Descia rápido e entrava na casa, que era muito, muito bonita e rica. E toda de vidro e espelhos grandes. Tenho a impressão de que era também de gesso, mas o mais visível era o vidro temperado, bem grosso, o suficiente para sustentar uma casa de dois andares completamente feita de vidro.

Eu deveria buscar algo lá e também fazer algumas modificações. Saber quanto de fumê deveria colocar entre cada parede, cores dos vidros, etc. Eu estava sozinha e precisava descobrir aonde estava o que eu deveria buscar (que não sei o que é). Depois de vasculhar o térreo, passando pela sala de estar, jantar e cozinha, vi que o que eu buscava só poderia estar no andar de cima. Então comecei a ouvir crécs, como se a casa estivesse para se quebrar. Era muito perigoso estar lá e, como eu não sabia realmente o que estava buscando, pensei bastante andando com cuidado até a escada. Ao colocar o pé no primeiro degrau: mais créc. Eu não tinha mais tempo... além do fato de ser de vidro, a casa parecia estar se movendo, como se tivesse sido erguida por cima de um lago. Tive que fugir.

Saí, abri o carro, peguei o celular que estava lá e comecei a andar de um lado para o outro na calçada de grama tentando ligar para alguém, mas ao mesmo tempo fazendo isso para não ter que conversar com alguns vizinhos que estavam querendo saber o que se passava... Acordei com a impressão de que as coisas estão mudando muito rápido e a terrível sensação de falha.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

A família indígena




Curumim.

Descia eu de um ônibus um pouco apressada porque  precisava resolver algo numa faculdade. Também desceram um rapaz e uma moça. A faculdade ficava ao final de uma rua. Segui por essa rua, que era de terra e ladeada por muito mato. Meus dois companheiros seguiram pelo mesmo caminho. Além da mata, à esquerda, a torre de uma igreja se sobressai. Era noite, mas a rua estava iluminada. 

De repente, o breu completo. Olhei em direção à moça. Ela, que antes estava lendo um livro distraidamente enquanto caminhava, continuou a fazê-lo como se nada tivesse acontecido. Olhei para o rapaz e ele devolveu o olhar compreendendo meu medo, contudo, seus olhos pareciam dizer que ainda assim eu precisava prosseguir. Ele me acompanhou até o final da rua, onde se encontrava uma casa (a faculdade estava muito distante ainda). Depois sumiu.

Essa casa era antiga e térrea, nos moldes das casas do centro de Teresina que predominavam até o início da década de 1990. Abri a porta. Quando entrei, vi muitas mulheres e crianças num salão. Havia uma cadeira verde de espaguete ao meu lado e nela me sentei, observando a cena. As mulheres e as crianças todas possuíam traços indígenas muito marcantes, mas usavam roupas “de homem branco", bem simples. Uma das crianças sentou no meu colo e eu temi que a líder delas me repreendesse. Para minha surpresa, ela assentiu a minha proximidade com a criança. Então eu acordei.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

A menina

Eu sonhei que eu estava em um prédio muito grande, que depois eu descobri que era um hotel. Olhei pela janela, havia muita gente na cobertura, num pátio coberto, tomando o café da manhã. Uma criança caminhava muito distante das mesas onde estava o restante das pessoas. Um cachorro bravo que estava preso, se soltou. Eu vi a hora que todos saíram de suas mesas desesperados, tentando buscar a criança, que corria na minha direção. O prédio não tinha nenhum muro de proteção que impedisse a criança de cair. Estranhamente, havia um enorme muro grosso só de concreto com um espaço entre o prédio que eu estava e o outro. Não daria tempo de ninguém correr pra pegar a criança, uma menina de uns 2 anos, antes dela cair do prédio ou de ser pega pelo cachorro. Eu, sem pensar, quando a criança já estava a dois passos da queda e de segundos de ser mordida, saltei minha janela, pisei no muro que havia entre os prédios, peguei a criança e fiz o caminho de volta, deixando nós duas à salvo no meu prédio.
Engraçado que, há mais ou menos um mês, eu estava caminhando pela UFPI, quando uma criança dessa idade do sonho estava aparentemente sozinha. Ela começou a caminhar em direção a uma queda de pouco menos de um metro, mas que seria capaz de machucá-la. Eu gritei e comecei a correr com toda a força, estava há uns 15 metros dela. Acho que se a a mãe ou qualquer outra coisa dela não tivesse visto e corrido em disparada também pra alcançar a menina, não teria dado tempo pra mim. Ela, por sorte, não se machucou, ainda bem.

sábado, 21 de março de 2015

Os nossos sonhos


O que são os sonhos? Por que sonhamos? Por que falar eles? O que eles podem nos contar?

No primeiro post de colaboração gostaria de conversar - sim, isso é uma conversa com amig@s - sobre a função dos sonhos em nossa vida. Calma, gente, não serei nada enfadonha - espero eu. Você já se perguntou sobre seus sonhos? O que aquelas imagens um tanto distorcidas da realidade faziam na sua cabeça enquanto você dormia? Por que sonhar tanta coisa boa num dia tão cansativo te faz ter forças para acordar no dia seguinte e levantar disposto a prosseguir?

São muitas perguntas e perguntar-se sempre sobre elas pode: 1) te deixar um pouco neurótico e/ou 2) te ajudar a entender que a vida é muito mais do que se passa no período "consciente" do dia.

Eu me interesso por sonhos há um tempo. Nem sempre foi assim, mas o suficiente para me fazer lembrar do primeiro sonho compartilhado. Digo compartilhado porque, apesar de ter sido uma criança bastante comunicativa, isso não durou tanto tempo assim (até os 5 anos eu falava pelos cotovelos, depois iniciou um processo de introversão cada vez mais introvertido, rsrs - mas eu me solto em bons momentos, tá, gente!). Voltando para o primeiro sonho: mais importante de ter sonhado e ter compartilhado, eu lembro também para quem eu falei e como eu falei: contei para meu irmão me balançando na rede do quarto beeem aaaalto. Eu não sabia, mas eu queria recriar a visão do sonho e estar em movimento num lugar alto me ajudava a viajar na maionese.

O sonho ficou guardado na cachola e eu não saberia que um dia seria necessário recordá-lo ainda mais umas vezes. Acontece que foi preciso falar sobre ele no consultório. Findo um período bastante conturbado, fui atrás de ajuda psicológica e então tive contato com esse mundo onírico de simbologias dificílimas e simplérrimas ao mesmo tempo. Eu não saberia dizer como seria se meu psicólogo seguisse outra linha de análise, mas posso dizer o quanto a Psicologia Analítica me ajudou e me abriu os olhos para o desconhecido.

Então: os sonhos. Eu não tenho nenhuma formação para falar deles, mas poderia dizer que os sonhos são um mapa da nossa vida. As imagens neles não se importam em seguir explicações lógicas, portanto não se engane: nem tudo é o que parece ser (ainda bem, né? Já imaginou acordar sendo uma barata? Opa, pera, isso é literatura!). Mas se a gente olhar direitinho, pensar um pouco a respeito, ter paciência, pode perceber que eles nos dão dicas preciosas para os pequenos e grandes problemas diários. Às vezes pode parecer difícil, aí a gente vai atrás de quem confia, fala a respeito e tem os insights.

E o intuito do blog é esse, conversar sobre os sonhos. Para o próximo post procurarei responder as perguntas que não respondi ali no comecinho e trazer alguma imagem onírica para análise, certo?

sexta-feira, 20 de março de 2015

Minhas irmãs

Não faço a menor ideia do porquê, mas sou capaz de lembrar de sonhos por um bom período de tempo. Hoje menos do que antigamente. Talvez seja o infame hábito de pegar o celular pra ver as horas e acabar me distraindo em outras coisas, enquanto não crio a coragem pra levantar de verdade. (Sim, estou ~disponível para o mercado de trabalho~, aquele bom e velho eufemismo pra desemprê!). O caso é que o convite pra colaborar com esse blog e a leitura dos posts já existentes, me fizeram lembrar dessa característica minha e de sonhos realmente bem antigos, de quando eu ainda era criança. Esses sonhos, no entanto, não são sonhos bons:

Eu devia ter uns oito anos. Ainda morava na minha cidadezinha do interior do Maranhão. Era uma pirralhinha esperta, atenta e com a cabeça mais cheia de minhoca do que você pode imaginar. Lembro muito bem de, muito perto da minha rua, ter tido um velório de uma gente muito pobre, de uma recém-nascida. Apesar de já ter tido contato com a morte antes, ainda não tinha visto (nem me era concebível) uma criança morrer, ainda mais um bebê! Aquilo ficou na minha cabeça por dias, ainda mais com o chocante fato da neném ter sido velada dentro de uma caixa de papelão (!!!).

Sonhei que minha mãe estava grávida. Que o meu irmão mais velho, era ainda uma criança pequena, que mal sabia andar. Eu era a irmã mais velha, eu que mandava nele. Os detalhes me fogem (afinal, fazem 16 anos desse sonho - isso é, se eu tiver certa sobre a idade que eu o sonhei!), mas, no final, minha mãe dá a luz. mas não a só um bebê. Eram N-O-V-E meninas. Todas lindas, vestidas com a mesma roupinha, com lacinhos na cabeça, só que de cores diferentes. Mas, por alguma reviravolta inexplicável, todas elas morreram. A cena mais marcante e que me fez não esquecer esse sonho jamais, foi que elas estavam colocadas dentro de um buraco enorme cavado na terra. Não era uma visão aérea. Eu via que estava lá o buraco, mas era como se eu estivesse a uns 15 metros de distância. 

Do nada, absolutamente DO NADA, apareciam pedras britas, saídas dos matos que arrodeavam o buraco, bem maiores que bolas de futebol e começaram a rolar pra dentro do buraco, esmagando minhas irmãzinhas. Eram muitas e só pararam quando eu acordei. Gritando.


PS.: Bom, galera, prometo que os próximos sonhos não serão mórbidos assim. Sonho muita loucura e coisa bem legal, que dá até pena de acordar. Obrigada à Dona da loja dos desejos por ter me convidado pra colaborar. Espero corresponder às expectativas. ;)

O urso






Estava eu em uma casa fracamente iluminada procurando a saída com um grupo de pessoas muito jovens. A casa só possuía corredores. Procurávamos a saída com alguma ansiedade. De repente me deparo com uma imensa porta de madeira clara, de duas folhas, talhada com alguns desenhos (uns arabescos, ramas e flores). Eu empurro e abro a porta. Deparo-me com um campo, uma luz cintilante emana de todo o lugar. Ando em direção a umas árvores que se encontram além de um filete de rio (ou riacho). Quando dou os primeiros passos e olho para a direita, dou de cara com um enorme urso pardo. Ele me devolve o olhar, reconhecendo-me. Depois ele segue seu caminho. Quanto a mim, eu atravesso o córrego e vou me aproximando da floresta onde estão alguns seres iluminados (que indicam algo em direção ao céu). Acordo.

Fato curioso: esse sonho ocorreu no dia em que faltei ao último dia do curso sobre mitologia. A figura do urso lá foi mencionada. Fiquei sabendo quando postei a imagem do urso do sonho no FB e uma colega comentou isso (eu havia passado o dia em outra cidade,- Água Branca- numa palestra com meus colegas de mestrado)