quinta-feira, 9 de abril de 2015

A família indígena




Curumim.

Descia eu de um ônibus um pouco apressada porque  precisava resolver algo numa faculdade. Também desceram um rapaz e uma moça. A faculdade ficava ao final de uma rua. Segui por essa rua, que era de terra e ladeada por muito mato. Meus dois companheiros seguiram pelo mesmo caminho. Além da mata, à esquerda, a torre de uma igreja se sobressai. Era noite, mas a rua estava iluminada. 

De repente, o breu completo. Olhei em direção à moça. Ela, que antes estava lendo um livro distraidamente enquanto caminhava, continuou a fazê-lo como se nada tivesse acontecido. Olhei para o rapaz e ele devolveu o olhar compreendendo meu medo, contudo, seus olhos pareciam dizer que ainda assim eu precisava prosseguir. Ele me acompanhou até o final da rua, onde se encontrava uma casa (a faculdade estava muito distante ainda). Depois sumiu.

Essa casa era antiga e térrea, nos moldes das casas do centro de Teresina que predominavam até o início da década de 1990. Abri a porta. Quando entrei, vi muitas mulheres e crianças num salão. Havia uma cadeira verde de espaguete ao meu lado e nela me sentei, observando a cena. As mulheres e as crianças todas possuíam traços indígenas muito marcantes, mas usavam roupas “de homem branco", bem simples. Uma das crianças sentou no meu colo e eu temi que a líder delas me repreendesse. Para minha surpresa, ela assentiu a minha proximidade com a criança. Então eu acordei.

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