sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Lembrando dos sonhos





Quando Jung recebia seus pacientes, sempre pedia que lhes contasse o último sonho. Nem sempre o paciente se lembrava, então ele, confiante, dizia: logo você começará a lembrar. E ao longo das sessões, mesmo os pacientes com grande bloqueio, terminavam por relatar um ou outro sonho. 

Não é difícil adivinhar o porquê. Quando a pessoa busca terapia, qualquer que seja a abordagem dela, há uma vontade de autoconhecimento, que é algo bastante forte. Essa vontade, começa a liberar um tipo de energia criativa, que se une a vontade de tornar consciente certos conteúdos aprisionados e nada como os sonhos em sua linguagem simbólica para nos ajudar a esse encontro com nosso self. É claro que, no caso dos pacientes de Jung, eles tinha a sorte de ter um especialista em estimular essa emersão onírica.

Mas também podemos tentar nos lembrar dos sonhos. No meu caso, nunca tive dificuldade em tê-los, a questão sempre foi guardar os detalhes, que se esvaem como areia entre os dedos se você não arranja um jeito. Então comecei a anotá-los, faz um pouco mais de dois anos. Em cadernos e em notas virtuais (foto acima). Alguns com riqueza narrativa, outros apenas com palavras-chaves, esse último modo, geralmente, quando acordava sonolenta no meio da noite.

Comecei a fazê-lo como exercício criativo, exercício de escrita e, especialmente, exercício de autoconhecimento, pedra de toque de todos os demais projetos de existência que tenhamos. E sou muito tranquila em afirmar que, no mínimo, os sonhos têm ajudado a enriquecer de sentidos as minhas experiências, mas principalmente surgem como importantes ferramentas no diálogo meu comigo mesma.

Jung afirmava que não ouvir a voz do inconsciente nos sonhos era como um ato irresponsável. Não porque eles necessariamente vão nos dizer o que fazer, mas vão particularmente nos ajudar a expandir o entendimento dos nossos atos, das nossas escolhas e apontar o que veio se tornando prejudicial ou confortável em nossas vivências. 

Então, na verdade comecei essa postagem com a intenção de estimular a quem nos ler a começar a anotar seus sonhos, deixar um caderno e uma caneta do lado da cama, ou lembrar do bloco de notas do celular. Por que não experimentar ouvir essa nossa manifestação sua (sim, você) tão plena de beleza (e às vezes de terror)?

Mais adiante, voltaremos a publicar os nossos sonhos novamente. Entremearemos os relatos de sonhos com algumas explicações dos conceitos do Jung, self, anima, animus etc.

Um comentário:

  1. Passarinha dando puxão de orelha na pessoa que está sem anotar os sonhos há... um... tempo... !
    But we are back, baby!

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