terça-feira, 28 de abril de 2015

A casa de vidro


Tinha uma casa, na rua da casa do meu pai. A calçada era verde (de grama, bem bonita) e eu estacionava o carro lá. Descia rápido e entrava na casa, que era muito, muito bonita e rica. E toda de vidro e espelhos grandes. Tenho a impressão de que era também de gesso, mas o mais visível era o vidro temperado, bem grosso, o suficiente para sustentar uma casa de dois andares completamente feita de vidro.

Eu deveria buscar algo lá e também fazer algumas modificações. Saber quanto de fumê deveria colocar entre cada parede, cores dos vidros, etc. Eu estava sozinha e precisava descobrir aonde estava o que eu deveria buscar (que não sei o que é). Depois de vasculhar o térreo, passando pela sala de estar, jantar e cozinha, vi que o que eu buscava só poderia estar no andar de cima. Então comecei a ouvir crécs, como se a casa estivesse para se quebrar. Era muito perigoso estar lá e, como eu não sabia realmente o que estava buscando, pensei bastante andando com cuidado até a escada. Ao colocar o pé no primeiro degrau: mais créc. Eu não tinha mais tempo... além do fato de ser de vidro, a casa parecia estar se movendo, como se tivesse sido erguida por cima de um lago. Tive que fugir.

Saí, abri o carro, peguei o celular que estava lá e comecei a andar de um lado para o outro na calçada de grama tentando ligar para alguém, mas ao mesmo tempo fazendo isso para não ter que conversar com alguns vizinhos que estavam querendo saber o que se passava... Acordei com a impressão de que as coisas estão mudando muito rápido e a terrível sensação de falha.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

A família indígena




Curumim.

Descia eu de um ônibus um pouco apressada porque  precisava resolver algo numa faculdade. Também desceram um rapaz e uma moça. A faculdade ficava ao final de uma rua. Segui por essa rua, que era de terra e ladeada por muito mato. Meus dois companheiros seguiram pelo mesmo caminho. Além da mata, à esquerda, a torre de uma igreja se sobressai. Era noite, mas a rua estava iluminada. 

De repente, o breu completo. Olhei em direção à moça. Ela, que antes estava lendo um livro distraidamente enquanto caminhava, continuou a fazê-lo como se nada tivesse acontecido. Olhei para o rapaz e ele devolveu o olhar compreendendo meu medo, contudo, seus olhos pareciam dizer que ainda assim eu precisava prosseguir. Ele me acompanhou até o final da rua, onde se encontrava uma casa (a faculdade estava muito distante ainda). Depois sumiu.

Essa casa era antiga e térrea, nos moldes das casas do centro de Teresina que predominavam até o início da década de 1990. Abri a porta. Quando entrei, vi muitas mulheres e crianças num salão. Havia uma cadeira verde de espaguete ao meu lado e nela me sentei, observando a cena. As mulheres e as crianças todas possuíam traços indígenas muito marcantes, mas usavam roupas “de homem branco", bem simples. Uma das crianças sentou no meu colo e eu temi que a líder delas me repreendesse. Para minha surpresa, ela assentiu a minha proximidade com a criança. Então eu acordei.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

A menina

Eu sonhei que eu estava em um prédio muito grande, que depois eu descobri que era um hotel. Olhei pela janela, havia muita gente na cobertura, num pátio coberto, tomando o café da manhã. Uma criança caminhava muito distante das mesas onde estava o restante das pessoas. Um cachorro bravo que estava preso, se soltou. Eu vi a hora que todos saíram de suas mesas desesperados, tentando buscar a criança, que corria na minha direção. O prédio não tinha nenhum muro de proteção que impedisse a criança de cair. Estranhamente, havia um enorme muro grosso só de concreto com um espaço entre o prédio que eu estava e o outro. Não daria tempo de ninguém correr pra pegar a criança, uma menina de uns 2 anos, antes dela cair do prédio ou de ser pega pelo cachorro. Eu, sem pensar, quando a criança já estava a dois passos da queda e de segundos de ser mordida, saltei minha janela, pisei no muro que havia entre os prédios, peguei a criança e fiz o caminho de volta, deixando nós duas à salvo no meu prédio.
Engraçado que, há mais ou menos um mês, eu estava caminhando pela UFPI, quando uma criança dessa idade do sonho estava aparentemente sozinha. Ela começou a caminhar em direção a uma queda de pouco menos de um metro, mas que seria capaz de machucá-la. Eu gritei e comecei a correr com toda a força, estava há uns 15 metros dela. Acho que se a a mãe ou qualquer outra coisa dela não tivesse visto e corrido em disparada também pra alcançar a menina, não teria dado tempo pra mim. Ela, por sorte, não se machucou, ainda bem.