Tinha uma casa, na rua da casa do meu pai. A calçada era verde (de grama, bem bonita) e eu estacionava o carro lá. Descia rápido e entrava na casa, que era muito, muito bonita e rica. E toda de vidro e espelhos grandes. Tenho a impressão de que era também de gesso, mas o mais visível era o vidro temperado, bem grosso, o suficiente para sustentar uma casa de dois andares completamente feita de vidro.
Eu deveria buscar algo lá e também fazer algumas modificações. Saber quanto de fumê deveria colocar entre cada parede, cores dos vidros, etc. Eu estava sozinha e precisava descobrir aonde estava o que eu deveria buscar (que não sei o que é). Depois de vasculhar o térreo, passando pela sala de estar, jantar e cozinha, vi que o que eu buscava só poderia estar no andar de cima. Então comecei a ouvir crécs, como se a casa estivesse para se quebrar. Era muito perigoso estar lá e, como eu não sabia realmente o que estava buscando, pensei bastante andando com cuidado até a escada. Ao colocar o pé no primeiro degrau: mais créc. Eu não tinha mais tempo... além do fato de ser de vidro, a casa parecia estar se movendo, como se tivesse sido erguida por cima de um lago. Tive que fugir.
Saí, abri o carro, peguei o celular que estava lá e comecei a andar de um lado para o outro na calçada de grama tentando ligar para alguém, mas ao mesmo tempo fazendo isso para não ter que conversar com alguns vizinhos que estavam querendo saber o que se passava... Acordei com a impressão de que as coisas estão mudando muito rápido e a terrível sensação de falha.
