sábado, 21 de março de 2015

Os nossos sonhos


O que são os sonhos? Por que sonhamos? Por que falar eles? O que eles podem nos contar?

No primeiro post de colaboração gostaria de conversar - sim, isso é uma conversa com amig@s - sobre a função dos sonhos em nossa vida. Calma, gente, não serei nada enfadonha - espero eu. Você já se perguntou sobre seus sonhos? O que aquelas imagens um tanto distorcidas da realidade faziam na sua cabeça enquanto você dormia? Por que sonhar tanta coisa boa num dia tão cansativo te faz ter forças para acordar no dia seguinte e levantar disposto a prosseguir?

São muitas perguntas e perguntar-se sempre sobre elas pode: 1) te deixar um pouco neurótico e/ou 2) te ajudar a entender que a vida é muito mais do que se passa no período "consciente" do dia.

Eu me interesso por sonhos há um tempo. Nem sempre foi assim, mas o suficiente para me fazer lembrar do primeiro sonho compartilhado. Digo compartilhado porque, apesar de ter sido uma criança bastante comunicativa, isso não durou tanto tempo assim (até os 5 anos eu falava pelos cotovelos, depois iniciou um processo de introversão cada vez mais introvertido, rsrs - mas eu me solto em bons momentos, tá, gente!). Voltando para o primeiro sonho: mais importante de ter sonhado e ter compartilhado, eu lembro também para quem eu falei e como eu falei: contei para meu irmão me balançando na rede do quarto beeem aaaalto. Eu não sabia, mas eu queria recriar a visão do sonho e estar em movimento num lugar alto me ajudava a viajar na maionese.

O sonho ficou guardado na cachola e eu não saberia que um dia seria necessário recordá-lo ainda mais umas vezes. Acontece que foi preciso falar sobre ele no consultório. Findo um período bastante conturbado, fui atrás de ajuda psicológica e então tive contato com esse mundo onírico de simbologias dificílimas e simplérrimas ao mesmo tempo. Eu não saberia dizer como seria se meu psicólogo seguisse outra linha de análise, mas posso dizer o quanto a Psicologia Analítica me ajudou e me abriu os olhos para o desconhecido.

Então: os sonhos. Eu não tenho nenhuma formação para falar deles, mas poderia dizer que os sonhos são um mapa da nossa vida. As imagens neles não se importam em seguir explicações lógicas, portanto não se engane: nem tudo é o que parece ser (ainda bem, né? Já imaginou acordar sendo uma barata? Opa, pera, isso é literatura!). Mas se a gente olhar direitinho, pensar um pouco a respeito, ter paciência, pode perceber que eles nos dão dicas preciosas para os pequenos e grandes problemas diários. Às vezes pode parecer difícil, aí a gente vai atrás de quem confia, fala a respeito e tem os insights.

E o intuito do blog é esse, conversar sobre os sonhos. Para o próximo post procurarei responder as perguntas que não respondi ali no comecinho e trazer alguma imagem onírica para análise, certo?

sexta-feira, 20 de março de 2015

Minhas irmãs

Não faço a menor ideia do porquê, mas sou capaz de lembrar de sonhos por um bom período de tempo. Hoje menos do que antigamente. Talvez seja o infame hábito de pegar o celular pra ver as horas e acabar me distraindo em outras coisas, enquanto não crio a coragem pra levantar de verdade. (Sim, estou ~disponível para o mercado de trabalho~, aquele bom e velho eufemismo pra desemprê!). O caso é que o convite pra colaborar com esse blog e a leitura dos posts já existentes, me fizeram lembrar dessa característica minha e de sonhos realmente bem antigos, de quando eu ainda era criança. Esses sonhos, no entanto, não são sonhos bons:

Eu devia ter uns oito anos. Ainda morava na minha cidadezinha do interior do Maranhão. Era uma pirralhinha esperta, atenta e com a cabeça mais cheia de minhoca do que você pode imaginar. Lembro muito bem de, muito perto da minha rua, ter tido um velório de uma gente muito pobre, de uma recém-nascida. Apesar de já ter tido contato com a morte antes, ainda não tinha visto (nem me era concebível) uma criança morrer, ainda mais um bebê! Aquilo ficou na minha cabeça por dias, ainda mais com o chocante fato da neném ter sido velada dentro de uma caixa de papelão (!!!).

Sonhei que minha mãe estava grávida. Que o meu irmão mais velho, era ainda uma criança pequena, que mal sabia andar. Eu era a irmã mais velha, eu que mandava nele. Os detalhes me fogem (afinal, fazem 16 anos desse sonho - isso é, se eu tiver certa sobre a idade que eu o sonhei!), mas, no final, minha mãe dá a luz. mas não a só um bebê. Eram N-O-V-E meninas. Todas lindas, vestidas com a mesma roupinha, com lacinhos na cabeça, só que de cores diferentes. Mas, por alguma reviravolta inexplicável, todas elas morreram. A cena mais marcante e que me fez não esquecer esse sonho jamais, foi que elas estavam colocadas dentro de um buraco enorme cavado na terra. Não era uma visão aérea. Eu via que estava lá o buraco, mas era como se eu estivesse a uns 15 metros de distância. 

Do nada, absolutamente DO NADA, apareciam pedras britas, saídas dos matos que arrodeavam o buraco, bem maiores que bolas de futebol e começaram a rolar pra dentro do buraco, esmagando minhas irmãzinhas. Eram muitas e só pararam quando eu acordei. Gritando.


PS.: Bom, galera, prometo que os próximos sonhos não serão mórbidos assim. Sonho muita loucura e coisa bem legal, que dá até pena de acordar. Obrigada à Dona da loja dos desejos por ter me convidado pra colaborar. Espero corresponder às expectativas. ;)

O urso






Estava eu em uma casa fracamente iluminada procurando a saída com um grupo de pessoas muito jovens. A casa só possuía corredores. Procurávamos a saída com alguma ansiedade. De repente me deparo com uma imensa porta de madeira clara, de duas folhas, talhada com alguns desenhos (uns arabescos, ramas e flores). Eu empurro e abro a porta. Deparo-me com um campo, uma luz cintilante emana de todo o lugar. Ando em direção a umas árvores que se encontram além de um filete de rio (ou riacho). Quando dou os primeiros passos e olho para a direita, dou de cara com um enorme urso pardo. Ele me devolve o olhar, reconhecendo-me. Depois ele segue seu caminho. Quanto a mim, eu atravesso o córrego e vou me aproximando da floresta onde estão alguns seres iluminados (que indicam algo em direção ao céu). Acordo.

Fato curioso: esse sonho ocorreu no dia em que faltei ao último dia do curso sobre mitologia. A figura do urso lá foi mencionada. Fiquei sabendo quando postei a imagem do urso do sonho no FB e uma colega comentou isso (eu havia passado o dia em outra cidade,- Água Branca- numa palestra com meus colegas de mestrado)

domingo, 15 de março de 2015

Sobre o blog: apresentação do primeiro "projeto"



Criei esse rascunho de blog com a intenção de armazenar publicamente alguns escritos aleatórios meus que se amontoam em cartas, diários, agendas, emails, sketchbooks, redes sociais etc. É claro que deixei a idéia para lá como outras tantas coisas que planejo.

Mas sei lá, hoje deu vontade de por a idéia em prática e compartilhá-la com vocês. 

Assim, o primeiro projeto do blog "Almas Polifônicas" será sobre sonhos. Descrições, interpretações livres, estudos (especialmente o feito por leigas) e outras tantas coisas que se referirem ao mundo onírico, essa maravilhosa língua do inconsciente.

Logo, logo espero encontrar as parceiras para isso. ;)

Beijocas!

O primeiro sonho: A serva de Aristóteles





Passo a descrever alguns dos sonhos que tive naquele 2013. O critério de escolha foi simplesmente a lembrança que deles ainda tenho e também a intensidade de impressões por trazerem elementos não familiares da minha vida cotidiana (apesar de seu sentido estar totalmente vinculado com ela).



Não tenho muita certeza da data exata, mas creio que foi pelo mês de março. E tenho quase certeza que foi antes do curso de mitologia ou seja, antes de ler Jung.

Estava eu em um navio de madeira, no meio do mar mediterrâneo. Acompanhava-me um rapaz, com o qual eu tinha algum tipo de relação afetiva. Éramos servos de Aristóteles. Nós deveríamos levar os papiros até ele. Eu via a cena tanto da terceira pessoa (predominantemente), como da primeira. Eu era branca com longos cabelos ondulados e vestia uma túnica branca e comprida. Meu cabelo tinha a parte superior presa com alguma tira que o adornava. Meu companheiro tinha uma roupa azulada ou esverdeada de um tecido um pouco grosseiro. Seus cabelos eram ondulados e estavam acima dos ombros- desgrenhados.
O navio começou então a naufragar e também a incendiar. O rapaz logo se apressou em pegar o barco (ou canoa) de salvação para que escapássemos. Eu fiquei desesperada querendo salvar todos os papiros, era mais importante do que ir com ele. Meu companheiro insiste em me chamar e eu ignoro “Preciso salvar os papiros!”, penso.
Finalmente, quando ele já está no barco sobressalente que começava a se distanciar, acompanhando meus movimentos e me chamando para sair do navio, eu decido segui-lo. Mas só porque havia conseguido salvar os papiros. Saio antes do naufrágio do navio que ocorre logo em seguida.